Entre normas e corpos

A situação sociojurídica de pessoas LGBTQIAPN+ privadas de liberdade no Brasil

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Autori

Parole chiave:

Hipervulnerabilidade, Jurisprudência, LGBTQIAPN+, Marco Normativo, Prisão

Abstract

O presente artigo analisa o marco normativo e jurisprudencial brasileiro referente à custódia de pessoas LGBTQIAPN+ privadas de liberdade, articulando a evolução regulatória com uma leitura crítica das práticas institucionais. São examinadas as principais resoluções que estruturam a política penitenciária voltada a essa população, a saber: notadamente aquelas do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e os atos do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN/SENAPPEN), bem como os precedentes mais recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que consolidam a autodeterminação de gênero como parâmetro jurídico central. O estudo reconstrói o percurso histórico da custódia, desde a separação improvisada em celas e alas específicas, como as chamadas “alas rosas”, até a criação de unidades de referência, tomando como exemplo a experiência do estado do Espírito Santo. A análise demonstra que, embora o avanço normativo represente uma conquista importante no reconhecimento formal de direitos, a distância entre norma e realidade prisional permanece profunda. A própria prisão, enquanto tecnologia de controle e disciplina, tende a exacerbar a hipervulnerabilidade já vivenciada pela população LGBTQIAPN+ no contexto social extramuros. A partir de contribuições da criminologia crítica, da teoria do reconhecimento e da necropolítica, argumenta-se que as políticas protetivas, ainda que importantes, operam dentro de uma estrutura que produz sofrimento e regula corpos dissidentes. Assim, a efetivação dos direitos dessa população exige não apenas a implementação rigorosa das normativas existentes, mas também a problematização da centralidade do encarceramento nas respostas estatais à diferença. Conclui-se que políticas de desencarceramento e alternativas penais são indispensáveis para superar os limites estruturais que restringem a plena concretização dos direitos LGBTQIAPN+ no sistema prisional brasileiro.

Biografie autore

Natália Cristina Corrêa Castelo Branco, Universidade Federal Fluminense

Pós-doutoranda em Ciências Jurídicas e Sociais pela UFF, consultora acadêmica e pesquisadora nas áreas de Sociologia Urbana, Políticas Públicas, Direitos Humanos, Desigualdades Sociais e Mudanças Climáticas. Atua com pesquisa aplicada, avaliação de políticas públicas e metodologias qualitativas e quantitativas.

Samira Medeiros Cerqueira, Universidade Federal Fluminense

Doutoranda em Sociologia e Direito pela Universidade Federal Fluminense. Mestra em Segurança Pública pela Universidade de Vila Velha (Bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo), Pós-Graduada em Direito Processual pela Faculdade Damásio de Jesus, Pós-Graduada em Direitos Humanos, Responsabilidade Social e Cidadania Global pela PUCRS e Graduada em Direito pela Faculdade de Direito de Vitória. Coordenadora Adjunta do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais do Espírito Santo - IBCCrim ES

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Pubblicato

2026-06-18

Come citare

Branco, N. C. C. C., & Cerqueira, S. M. (2026). Entre normas e corpos: A situação sociojurídica de pessoas LGBTQIAPN+ privadas de liberdade no Brasil. COR LGBTQIA+, 4(10). Recuperato da https://revistas.ceeinter.com.br/CORLGBTI/article/view/3023