O pudor é a forma mais inteligente de perversão

Abuso de drogas, chemsex e violências homoafetivas

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Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.56579/cor.v2i9.2240

Palabras clave:

Pudor, Homens Gays, Neurobiologia do Prazer, Chemsex, repressão sexual

Resumen

Este ensaio analisa o conceito de pudor sob uma perspectiva psicanalítica, compreendendo-o como um mecanismo de defesa que regula e reprime impulsos sexuais. Frequentemente entendido como uma restrição moral, o pudor pode paradoxalmente ocultar ou favorecer o surgimento de formas mais complexas de perversão, como o uso abusivo de substâncias, o chemsex (uso de drogas durante o sexo) e a violência em relações homossexuais, evidenciando uma relação entre repressão e comportamentos extremos. A partir das contribuições de Sigmund Freud, argumenta-se que o pudor funciona como um "guardião" da psique, regulando o desejo e promovendo a conformidade social, e o uso dessas substancias em contexto sexual, principalmente, busca o afrouxamento/repressão desse guardião. Como metodologia, foram analisadas produções audiovisuais, como a série Baby Reindeer (Netflix), artigos e estudos de caso, bem como um estudo netnográfico no Grindr, aplicativo de encontros entre homens. Além disso, foram realizadas entrevistas de perfil com homens gays, compondo uma narrativa ancorada também em um estudo etnográfico em espaços de sociabilidade sexual, como a boate Kit Kat Club, em Berlim – especificamente durante a festa techno de fetiche Piep Show – e os bares de cruising L’Uomo e The Hole, ambos cidade do Porto. A análise considera ainda aspectos da neurobiologia do prazer, com destaque para o papel da dopamina na flexibilização temporária de normas morais, permitindo a emergência de desejos reprimidos. Assim, defende-se que o pudor, apesar de sua função repressiva, é uma estrutura culturalmente moldada e flexível, cuja suspensão momentânea revela a complexidade da sexualidade humana e seus desdobramentos psíquicos e sociais.

Biografía del autor/a

Icaro Machado Ribeiro, Faculdade de Letras da Universidade do Porto

Jornalista (International Federations of Journalists), pesquisador, autor do livro de crónicas Criança Viada (2021) e de ensaios como "A Metamorfose da Identidade: Corpos Trans na Encruzilhada da Moda e da Aceitação"; "A contradição da explicitação: o consumo do masculino enquanto objeto de desejo homossexual numa sociedade machista-homofóbica", "Literatura Viada: Histórias para Contar aos Adultos" e outros. Atualmente é editor de opinião no Jornal Universitário do Porto, na cidade do Porto, Portugal. Profissional de comunicação que domina a convergência mediática e a suas TDICs. Agente transformador, sempre buscando desenvolver atividades com intuito de estimular cada vez mais o cidadão prossumer por meio da educomunicação e de trabalhos sociais que visam a democratização da informação e do acesso. Forte interesse por arte, cultura-sociedade e entretenimento. Enquanto pesquisador, adepto do método psicanalista, desenvolvendo produções artísticas-visuais e literárias que verbalizem a suas inquietações acerca da relação corpo-sujeito, pautando-se em questões de género e sexualidade no universo criança/adulto viado. 

Leonardo Rogério Vieira, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Graduado em Ciências Biológica (Licenciatura) pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Possui Mestrado em Bioquímica pela UFC, o qual se concentrou na avaliação do risco toxicológico de proteínas Cry oriundas de Bacillus thuringiensis (Bt), usando uma abordagem ecotoxicoproteômica. Além disso, possui Doutorado em Bioquímica também pela UFC com pesquisa focada na avaliação de risco e toxicologia preditiva de contaminantes ambientais. Nesse contexto, desenvolveu "Adverse Outcome Pathways" (Vias de Efeito Adverso), modelo toxicológico preditivo, para pontos apicais de toxicidade (e.g. toxicidade reprodutiva) induzida por produtos químicos. atualmente, é Técnico de Laboratório no Biotério do Departamento de Biofísica e Farmacologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

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Publicado

2025-07-31

Cómo citar

Ribeiro, I. M., & Vieira, L. R. (2025). O pudor é a forma mais inteligente de perversão: Abuso de drogas, chemsex e violências homoafetivas. COR LGBTQIA+, 1(9), 154–175. https://doi.org/10.56579/cor.v2i9.2240

Número

Sección

Ensaios