“Como você vive a sua sexualidade aqui dentro?”
Espaços de experiências e horizontes de expectativas de um pesquisador no sistema socioeducativo
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https://doi.org/10.56579/cor.v4i10.3025Keywords:
Gênero, Sexualidade, Sistema Socioeducativo, Koselleck, Identidades DissidentesAbstract
Neste artigo, analiso, sob a ótica das categorias de “Espaços de Experiências” e “Horizontes de Expectativas” de Reinhart Koselleck, como as questões de gênero e sexualidade se materializam como políticas públicas no Sistema Socioeducativo. Faço uma Análise Comparativa Crítica, em que confronto o "passado atual" — as vivências de jovens acautelados e minhas experiências de pesquisador com a realização de um mestrado e uma especialização sobre o tema — com o "futuro presente" — as expectativas geradas a partir de uma pesquisa realizada em 2025 sobre a evolução dos bancos de dados do SINASE, que pude avaliar. Os “espaços de experiências” me demonstraram que, no período de 2014-2016, o sistema operava como um território de reprodução e reforço do modelo cisheteronormativo, validando a violência simbólica e a dupla marginalização dos adolescentes com identidades dissidentes. A sexualidade era tratada como risco e sistematicamente negada, sendo a masculinidade triunfante um imperativo de sobrevivência, agravado pela ausência de Educação na Diversidade Sexual. Em contrapartida, os “horizontes de expectativas” atuais, impulsionados pela Resolução CNJ nº 348/2020, me revelaram um avanço conceitual e metodológico significativo. O Levantamento Nacional do SINASE de 2023 inflexionou ao incorporar categorias explícitas de identidade de gênero ("transgênero", "não binárie"), sinalizando o esforço por conceder existência epistemológica a essa juventude. Entretanto, o exercício comparativo demonstrou que, apesar dos avanços formais, o horizonte de expectativas limitou-se a repetição das experiências do passado. Os dados de 2023 revelaram que o sistema permanece dominado por uma estrutura punitiva masculina (95,6% de meninos cisgênero) e a sub-representação das identidades diversas aponta para a persistência da fragilidade metodológica. Concluo com a urgência de um sistema que abrace a pluralidade das juventudes, exigindo o aperfeiçoamento dos bancos de dados e a formação continuada dos profissionais para lidarem com as diferenças humanas, transformando os dados em instrumentos de justiça social.
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