Desigualdades fabricadas

Corpos trans e a economia neoliberal do descarte

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Autores

DOI:

https://doi.org/10.56579/cor.v3i10.2615

Palavras-chave:

População trans, Neoliberalismo, Interseccionalidade, Exclusão, Políticas públicas

Resumo

Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre os impactos do neoliberalismo na vida da população trans, à luz da interseccionalidade como ferramenta analítica. Considerando a articulação entre gênero, raça e classe, investiga-se como políticas neoliberais agravam desigualdades históricas, intensificando a marginalização de corpos trans em múltiplas dimensões — saúde, trabalho, segurança e reconhecimento social. A partir de uma revisão bibliográfica e da contribuição de autores como Patrícia Hill Collins, Sirma Bilge, Dean Spade e Marie-Hélène Bourcier, destaca-se como a racionalidade neoliberal se apropria de discursos de inclusão, ao mesmo tempo em que desresponsabiliza o Estado e individualiza os fracassos sociais. O texto aponta para a urgência de políticas públicas que reconheçam as especificidades da população trans, promovendo justiça social e equidade material.

Biografia do Autor

Luiz Carlos da Costa Braga Júnior, UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA (UEPB)

Mestre em Serviço Social pelo Programa de Pós-Graduação em Serviço Social - PPGSS da Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (2025). Possui graduação em Serviço Social pela Universidade Estadual da Paraíba (2022). Pesquisador na área de Serviço Social e Ciências Sociais com ênfase em gênero, diversidade e políticas públicas.

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Publicado

10-04-2026

Como Citar

Braga Júnior, L. C. da C. (2026). Desigualdades fabricadas: Corpos trans e a economia neoliberal do descarte. COR LGBTQIA+, 3(10), 84–92. https://doi.org/10.56579/cor.v3i10.2615