"Deus, pátria e família"
A ideologia heteroterrorista de violência institucionalizada aos corpos LGBTs no contexto político-social brasileiro contemporâneo
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https://doi.org/10.56579/cor.v1i10.2325Keywords:
Gênero, Sexualidade, Movimentos conservadores, Discriminação, EmpoderamentoAbstract
O presente artigo tem como objetivo analisar de que forma o heteroterrorismo, inserido em uma perspectiva conservadora de exclusão e discriminação social à comunidade LGBTQIAPN+, se manifesta no cenário político-social brasileiro contemporâneo, à luz de uma teoria crítica queer. Assim, essa revisão bibliográfica busca entender, criticamente, como o heteroterrorismo, cunhado pela socióloga brasileira Berenice Bento como um sistema contínuo de violência, voltado a manter a cisheteronormatividade compulsória como norma dominante na sociedade, se estrutura na sociedade brasileira atual e influencia as subjetividades dissidentes. Na medida em que se questiona, em um viés contraposto, o papel do empoderamento social frente a tamanha conjuntura. Para tanto, utilizou-se do método hipotético-dedutivo, com a abordagem qualitativa e dos tipos de pesquisa bibliográfico, explicativo e descritivo. Ademais, a partir de uma técnica de coleta de dados respaldada em uma dimensão observacional de forma não participativa, examinou-se tais questionamentos através da análise dos posicionamentos/repercussões dos então Deputados Federais Nikolas Ferreira e Erika Hilton, através de suas postagens no Instagram, segunda plataforma digital mais utilizada pelos brasileiros. Os resultados evidenciaram que o problema do heteroterrorismo não é apenas individual ou moral, mas sim, social, estrutural e político. Ele se materializa tanto em discursos políticos quanto em práticas socioculturais e institucionais, promovendo exclusão, autocensura e violência simbólica contra a comunidade LGBTQIAPN+. Portanto, reconhecer o movimento do hetero terror como problema central hoje ajuda a entender como o preconceito é mantido e por que é necessário enfrentá-lo com políticas de equidade, empoderamento e educação crítica.
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