Espaços de sociabilidade e vivências dissidentes de gênero e sexualidade
Entre cidades e as páginas da Revista Rose
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https://doi.org/10.56579/cor.v2i9.2037Keywords:
Revista Rose, gênero, sexualidade, memóriaAbstract
Este estudo analisa espaços de sociabilidade de pessoas dissidentes de gênero e sexualidade a partir de suas memórias de vivências correlacionadas a práticas sexuais, expressão e identidade de gênero, orientação afetivo-sexual e corporalidade registradas na revista Rose. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e se baseia na análise documental das cartas enviadas à seção "Confidências" da publicação, fundamentada nos pressupostos do construcionismo social e da análise de práticas discursivas. A análise das fontes documentais indica que a revista Rose se consolidou como um espaço simbólico de acolhimento e pertencimento para corpos marginalizados, possibilitando a troca de experiências, dúvidas e desabafos. As cartas analisadas contêm recorrentes temáticas, com destaque para questões sobre orientação afetivo-sexual, práticas sexuais e corporalidade. Como considerações, destacamos que em um cenário marcado pela censura e pela escassez de espaços físicos de sociabilidade, a revista desempenhou um papel importante na legitimação de identidades dissidentes, funcionando como um refúgio simbólico para essas pessoas, potencializando reconhecimento de pares e fortalecimento de identidade.
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