ENTRE FESTA E ARTE
A REPRESENTAÇÃO VISUAL DO CARNAVAL EM “ANTIGOS CARNAVAIS” DE ZÉ DARCI, ARROIO GRANDE/RS
Visualizações: 41DOI:
https://doi.org/10.56579/relaptec.v1i1.3167Palavras-chave:
Arroio Grande, Carnaval, Arte, MemóriaResumo
O Carnaval de Arroio Grande se consolida como espaço de sociabilidade, resistência negra e afirmação identitária. Desde o final do século XIX, a população negra protagonizou os primeiros festejos de rua, fundou blocos, bandas e o Clube Guarani, consolidando uma atuação contínua que preservou a tradição e evidencia a potência carnavalesca do município. A obra de Zé Darci Gonçalves, inspirada em suas memórias e em pesquisas acadêmicas, como a dissertação de Franciéle Soares, resgata essa história, evidenciando vivências negras em seus espaços de pertencimento social e fortalecendo a reflexão sobre antirracismo e arte. A produção de Zé Darci atua em múltiplos níveis: documenta, celebra, resiste e provoca reflexão sobre a história social e cultural, funcionando como registro histórico e intervenção artística que socializa pesquisas, muitas vezes restritas ao meio acadêmico. Sua obra é decolonial, pois alia técnica e crítica à história oficial, apresentando negros como protagonistas, promovendo reflexões políticas e fortalecendo a luta antirracista. Analisar o carnaval e a obra do artista sob a perspectiva decolonial evidencia como a colonialidade estruturou modos de pensar, agir e produzir conhecimento, perpetuando formas de dominação. Nesse contexto, a arte revela-se estratégica: questiona discursos hegemônicos, influencia percepções de mundo e se manifesta como prática de resistência e reinvenção.
Referências
ACHINTE, Adolfo Albán. Artistas indígenas y afrocolombianos: entre las memorias y las cosmovisiones. In: PALERMO, Zulma (org.). Arte y estética en la encrucijada descolonial. Buenos Aires: Del Signo, 2009. p. 99-114.
AL-ALAM, Caiuá Cardoso. O CLUBE RECREATIVO GAÚCHO: um clube social
negro em jaguarão (1930-40). In: ENCONTRO ESCRAVIDÃO E LIBERDADE NO
BRASIL MERIDIONAL, 9., Florianópolis, mai. 2019. p. 1-15.
ALENCASTRO, Lucilia de Sá. Revista “para todos...”: uma história de carnaval.
Tuiuti: Ciência e Cultura, Curitiba, n. 46, p. 215-232, 2013.
ARANTES, Nélio. Pequena história do Carnaval no Brasil. Revista Portal de
Divulgação, ano 3, n. 29., p. 6-29, fev. 2013.
DINIZ, André. Almanaque do Carnaval: a história do carnaval, o que ouvir, o que
ler, onde curtir. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
FÉLIX, Rita de Cássia Souza. Damas de Ébano nos Clubes Sociais Negros: Entre
trancinhas e batom. Comunicações, Piracicaba, ano 21, n. 1, p. 39-53, jan./jun. 2014.
VIEIRA FILHO, Raphael Rodrigues. Diversidade no carnaval de Salvador: as manifestações afro-brasileiras (1876-1930). Projeto História, São Paulo, n. 14, fev. 1997.
FLORES, Moacyr. Do entrudo ao Carnaval. Estudos Ibero-Americanos, n. 1, p.
-151, jun. 1996.
FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Tradução de Sebastião Nascimento e Raquel Camargo; prefácio de Grada Kilomba; posfácio de Deivison Faustino; textos complementares de Francis Jeanson e Paul Gilroy. São Paulo: Ubu Editora, 2020.
LONER, Beatriz Ana; GILL, Lorena Almeida. Clubes carnavalescos negros da cidade de Pelotas. Estudos Ibero-Americanos, Porto Alegre, v. 35, n. 1, p. 145-162,
jan/jun. 2009.
MALDONADO-TORRES, Nelson. Transdisciplinaridade e decolonialidade. Sociedade e Estado, v. 31, n. 1, p. 75-97, abr. 2016. FapUNIFESP (SciELO).
MOURA, Eduardo Junio Santos. ARTE/EDUCAÇÃO DECOLONIAL na América Latina. Cadernos de Estudos Culturais, Campo Grande, v. 1, p. 31-44, jun, 2019.
RISÉRIO, Antonio. Carnaval: as cores da mudança. Afro-Ásia, Salvador, n. 16,
QUEIROZ, Maria Isaura Pereira de. A ordem carnavalesca. Tempo Social, revista de sociologia da USP, São Paulo, S. Paulo, v. 6, n. 1-2, p. 27-45, 1994 (editado em jun. 1995).
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In:
QUIJANO, Aníbal. Descolonizar o saber, descolonizar o imaginário. Porto Alegre: Ed. UFRGS,
p. 115-134.
SAMPAIO, Edna Giovane dos Santos. Clube Instrução e Recreio: Família de Rainhas no carnaval arroio-grandense no século XX. 2010. Monografia (Licenciatura em História) - Programa de Pós-Graduação em História, Instituto de Ciências Humanas, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, RS, 2010.
SILVA, Rodrigo de Sousa da. ZÉ PELINTRA: concepções sobre a umbanda e o malandro. Em Favor da Igualdade Racial, Rio Branco - Acre, v. 3, n. 2, p. 133-145, fev/jul, 2020.
SIMÕES, Alessandra. A hora e a vez do “decolonialismo” na arte brasileira. Revista Visuais, v. 12, n. 7, p. 1-17, 2021.
SERPA, Bruna Teles Mena. Dona Serafina, entre a Fé e a Folia: a trajetória de uma mulher negra benzedeira em Arroio Grande (1911-2016). 2023. 103 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em História) - Universidade Federal do Pampa, Jaguarão, 2023.
SOARES, Franciéle Gonçalves. Rainhas do Carnaval do Clube Guarani: um Clube Social Negro em Arroio Grande/RS. 2025. 155 f. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Patrimônio Cultural, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2025.
SOUSA, Karina Almeida de. RAINHAS DO CLUBE E MUSAS DO SAMBA-ROCK:
raça e gênero na sociabilidade negra. Desigualdade e Diversidade, n. 18, p. 33-54,
jun. 2020. http://dx.doi.org/10.17771/pucrio.ddcis.48450.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 REVISTA LATINO-AMERICANA DE PRODUÇÃO TÉCNICA E TECNOLÓGICA

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
A Revista Latino-Americana de Produção Técnica e Tecnológica (RELAPTEC) adota a licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0), que possibilita o compartilhamento e a adaptação do trabalho, incluindo fins comerciais, desde que seja feita a atribuição adequada e seja reconhecida a publicação original nesta revista.