EXPERIÊNCIAS EMOCIONAIS NA (DES)CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DOCENTE
ANALISANDO MEUS DIÁRIOS REFLEXIVOS NO PROJETO TELETANDEM
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Experiências Emocionais, Identidade Docente, Diários Reflexivos, TeletandemResumo
A subjetividade constitui-se como uma síntese individual e singular que vamos construindo ao longo de nossas vivências sociais e culturais. Segundo Bock, Furtado e Teixeira (2008), ela se expressa em nossa forma de sentir, pensar, fantasiar, agir, sonhar e amar. Inseridas nesse cenário, as emoções carregam significados que influenciam diretamente a interação cultural e social, é por meio delas, assim como do pensamento, da linguagem, da memória e da imaginação (Ramos, Ferreira e Leal, 2023), que os sujeitos não apenas compreendem o mundo ao seu redor, mas também ressignificam suas relações com ele. O professor, como sujeito situado em um contexto que valoriza principalmente conhecimento, disciplina e ética, vivencia experiências emocionais que podem afetar sua identidade docente de forma positiva ou negativa, em um processo contínuo de (des)construção que se inicia com sua inserção na comunidade acadêmica. Diante disso, neste trabalho, busquei investigar minhas experiências emocionais enquanto professora de línguas em formação, no projeto Teletandem (Campos, 2023), uma proposta metodológica virtual, em que os participantes atuam como professor e aprendiz de línguas, proporcionando vivências interculturais que favorece a exploração de crenças e emoções no contexto de ensino-aprendizagem. Meu foco esteve em compreender como as emoções, as ações e as crenças relacionadas à prática docente (Aragão e Cajazeira, 2017) impactaram de forma significativa, seja positiva ou negativamente, na minha formação como professora, para além dos conteúdos teóricos. Adotando uma abordagem qualitativa (Paiva, 2019), os dados foram extraídos de meus diários reflexivos, elaborados ao longo das dez semanas de duração do projeto, selecionando trechos que evidenciam as principais emoções vivenciadas ao longo da experiência, com o objetivo de compreender as intenções e os significados atribuídos aos meus escritos, compreendendo os diários como instrumentos potentes na prática docente crítica-reflexiva (Andrade e Almeida, 2018). Ao escrever sobre minhas vivências, pude analisar criticamente minhas ações e emoções, reconhecendo os principais gatilhos para essas experiências emocionais, o que deveria ser mantido ou transformado em minha prática, contribuindo não apenas para o meu desenvolvimento como professora, como também para o crescimento de outros educadores ao compartilhar minhas experiências emocionais.