Chamada de trabalhos - Racialidades, Sexualidades e Religião: tensionamentos e disputas no espaço universitário

03-12-2025

Chamada de trabalhos - Racialidades, Sexualidades e Religião: tensionamentos e disputas no espaço universitário

A Revista COR LGBTQIA+, da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), torna pública a chamada para o dossiê temático “Racialidades, Sexualidades e Religião: tensionamentos e disputas no espaço universitário”, com curadoria de Paulo Thiago Carvalho Soares Ribeiro, doutorando em Sociologia pela UnB; Alexander Rocha, mestre em Sociologia pela UFG; Letícia Imperatriz Ferreira, mestra em Desenvolvimento Social pela Unimontes; Luiz Fábio Pinheiro Lima, doutorando em Antropologia pela UFG; Matheus Felipe Oliveira Costa, doutorando em Antropologia pela UFBA; Maria Alice Dias Costa, mestranda em Sociologia pela UFG; Wellington Coimbra, mestre em Educação pela Unimontes.

O dossiê tem por principal objetivo reunir estudos, etnografias - incluindo a fotografia como instrumento etnográfico, pesquisas acadêmicas e relatos de experiência que problematizam a universidade em seus três principais pilares - pesquisa, ensino e extensão - a partir de relatos de pesquisadoras e pesquisadores que investigam desigualdades como a de raça, gênero, sexualidade e religiões de matriz africana; observando como estão operando os mecanismos de exclusão e de desigualdades em um espaço - o universitário - que deveria promover a inclusão e participação democrática. De modo geral, o dossiê temático está particularmente interessado em trabalhos originais e inéditos, sob diferentes perspectivas analíticas e metodológicas, que sejam capazes de analisar os tensionamentos, disputas e hierarquizações que atravessam o espaço acadêmico, além de experiências pessoais e coletivas que reivindicam novas epistemologias para as ciências sociais, a partir de três eixos principais:


1) Exclusões e violências oriundas do ensino / currículo:

Dentre possíveis exemplos, destacamos estudos de casos, relatos de experiência e ensaios teóricos que discutam, em seu escopo, questões relacionadas a: exclusão de autoras/es africanas/os, indígenas, asiáticas/os com preponderância de autores brancos, europeus, mesmo que com perspectivas pretensamente decoloniais; e da exclusão de determinadas epistemologias, que são preteridas em relação aos saberes hegemônicas; dentre temas transversais e interseccionais relacionados ao tema.

2) Exclusões e violências em Projetos de Extensão:

Dentre possíveis exemplos, destacamos estudos de casos, relatos de experiência e ensaios teóricos que discutam, em seu escopo, questões relacionadas a: limitação de projetos de extensão que não buscam real inserção nas periferias, centrando suas atuações em centros e no interior da Universidade; que discutam a composição ainda muito branca ou masculina de projetos que deveriam ser inclusivos e que se propõem a debater, por exemplo, questões como gênero, sexualidade, racialidades e religiões

de matriz africana.

3) Exclusões e marginalizações na pesquisa:

Dentre possíveis exemplos, destacamos estudos de casos, pesquisas aplicadas e ensaios teóricos que problematizam a centralidade das pesquisas das ciências sociais em determinados campos tradicionais e sob determinadas epistemologias hegemônicas, sem abertura para modelos, atores e epistemologias marginalizadas.

 

Os trabalhos devem ser submetidos pela plataforma do site (https://revistas.ceeinter.com.br/CORLGBTI/about/submissions), atendendo todas as condições e diretrizes.

 

Ao submeter o trabalho, deve ser informado no comentário para o editor qual o Dossiê Temático escolhido.

Lembrando que a Revista possui um template para submissão de artigos científicos: https://docs.google.com/document/d/1jf8iHZT8U-qgCXM03BAfcURyQQ0rRrrUxrqaZPUnfv0/edit?tab=t.0.

 

Justificativa: Muito se evoluiu no que se diz respeito à inclusão no ambiente universitário. As políticas de ação afirmativa através da Lei nº 12.711/2012 estão colocando um número cada vez maior de corpos negros, indígenas e quilombolas em espaços que antes eram majoritariamente compostos por pessoas brancas, já há também ações de políticas afirmativas para pessoas trans nascendo em diversas Universidades, como a UFBA, dando um passo a mais na inclusão. Aparentemente, a Universidade vem se diversificando, pelo menos em sua composição. Mas diante dessa diversidade se ampliando, é importante questionar se existe uma mudança real na Universidade. Até que ponto essa inclusão está sendo meramente estética sem afetar a estrutura? As dissidências de sexualidade, raça e religião estão sendo realmente incluídas e valorizadas no espaço universitário? São questões em aberto que merecem constante vigilância e problematização, para que um espaço de diversidade e transformação estrutural realmente aconteça no cenário universitário do país.

 

O prazo para submissão é: 01/03/2026.