Conflito e sociabilidade na conferência estadual dos direitos das pessoas LGBTQIA+ na cidade de Rio Branco

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Auteurs

DOI :

https://doi.org/10.56579/cor.v3i10.2557

Mots-clés :

Conflito, Etnografia, Sociabilidade, LGBTQIAPN+, Performance

Résumé

O presente artigo é um relato etnográfico desenvolvido a partir da fase inicial de um projeto de Iniciação Científica, que correlaciona estudos de gênero e sexualidade com a produção de espaços e resistências na cidade. Este trabalho traz algumas reflexões a partir da experiência de observação de uma Conferência Estadual sediada na cidade de Rio Branco voltada para a discussão e construção de direitos para pessoas LGBTQIAPN+ residentes no Estado do Acre. O objetivo deste estudo etnográfico é propor discussões a partir da análise de situações identificadas dentro do campo etnografado, evidenciando a forma como minorias sociais formam e configuram suas próprias redes de sociabilidade dentro de espaços citadinos. Tendo este objetivo definido, além do método etnográfico a pesquisa utilizou-se de uma revisão bibliográfica e documental sobre gênero, performance e trocas sociais que contribuíram para uma melhor estruturação das questões registradas em caderno de campo. Por isto, para o embasamento teórico, foram utilizados os conceitos de “pedaços” e “arranjos” do antropólogo José Guilherme Magnani (2002) articulados com Michel Foucault (1999) ao falar da circulação das correlações de poder enquanto uma rede com vários pontos de resistência. Os pensadores Georg Simmel (2006), Judith Butler (2018) e Victor Turner (2009) para pensarmos nas naturezas dos conflitos, das performances e da liminaridade, que se pautam também em discussões sobre identidades e suas nuances expressivas e políticas. Por fim, considera-se que a construção de espaços para debates sociais e políticos ilustrados na Conferência etnografada são repletos de conflitos e dramas sociais que não necessariamente trariam prejuízos para a articulação coletiva da comunidade LGBTQIA+ enquanto grupo social e movimento político.

Bibliographies de l'auteur

Guilherme Issamu Saul Yoshihara, Universidade Federal do Acre

Graduande de Licenciatura em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Acre (UFAC), atualmente é estagiárie da Escola do Legislativo Acreano da Assembleia Legislativa do Estado do Acre (ALEAC) da bolsista no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) pesquisando nas áreas da antropologia urbana, gênero e sexualidade, comunidade lgbtqiapn+, teoria queer e estudos culturais.

Ana Letícia de Fiori, Universidade Federal do Acre

Professore adjunte de Antropologia no Centro de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal do Acre. Bacharel e licenciatura em Ciências Sociais e mestrado e doutorado em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo. Realizou estágio de pós doutoramento no Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Membro dos grupos de pesquisa da Universidade de São Paulo: Núcleo de Antropologia da Performance e Drama (NAPEDRA), do Núcleo de Antropologia e Direito (NADIR), do Núcleo de Antropologia Urbana (LabNAU), do Estudos indisciplinares do corpo e do território (Cóccix); do grupo Trabalho, Educação e Trajetórias Sociais da Universidade Federal do Acre - Ufac, e do Grupo de Pesquisas em Antropologia Social e Interseccionalidades (ANTROPOS), da Universidade Federal do Piauí - UFPI. Ex-vice presidente e Membro do Comitê Estadual de Prevenção e Combate à Tortura do Acre. Trabalha com antropologia urbana; RPG, jogos e performance; antropologia do direito; narrativas de violência; etnologia indígena; ensino superior indígena; antropologia do estado; gênero e sexualidade; ensino de ciências sociais.

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Publiée

2026-04-10

Comment citer

Yoshihara, G. I. S., & de Fiori, A. L. (2026). Conflito e sociabilidade na conferência estadual dos direitos das pessoas LGBTQIA+ na cidade de Rio Branco. COR LGBTQIA+, 3(10), 166–183. https://doi.org/10.56579/cor.v3i10.2557

Numéro

Rubrique

Relatos de Experiência