Plantando o futuro à navalha

Enquadramentos travestis no cinema brasileiro

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Auteurs

Mots-clés :

Cinema, Gênero, travestis

Résumé

No presente trabalho pretendo refletir acerca dos enquadramentos produzidos por meio do cinema brasileiro sobre corpos trans e travestis e a partir deles entender o que as imagens nos dizem sobre o tempo histórico em que foram produzidas. Escolho desenvolver minha investigação apropriando-me da escrita em primeira pessoa, como forma de abandonar a pretensa impessoalidade da escrita acadêmica ocidental, afirmar minha vivência enquanto travesti, sendo estes gestos metodológicos. Este trabalho é resultado do que venho desenvolvendo no Grupo de Estudos e Pesquisas em História, Gênero e Sexualidade (GEPHGS), da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), onde encontro um espaço seguro no qual reverberam minhas inquietações enquanto pesquisadora travesti. Também é fruto das minhas vivências no Ateliê Xica Manicongo, onde descubro o cinema como lugar possível de criar e veicular novas narrativas sobre corporalidades dissidentes, para além da narrativa de dor imposta a nós pela cisheteronorma.

Biographie de l'auteur

Rubi Couto Pimentel Barros, Universidade Federal de Alagoas - UFAL

Travesti, graduanda do curso de licenciatura em História da Universidade Federal de Alagoas na qual desenvolvo minha pesquisa a partir do Grupo de Estudo e Pesquisa em História, Gênero e Sexualidade (GEPHGS) que componho a cerca de 3 anos. Faço parte também do Ateliê Xica Manicongo de Cinema, um projeto de formação em cinema exclusivo para pessoas trans e travestis que atravessa profundamente minha escrita.

Références

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FILMES CITADOS

AINDA escuto o céu embaixo d`água. Direção: Alice Lovelace, Céuva, Kalina Flor, Lua de Kendra, Marina Bonifácio, Morgana Neves, Nara Dos Santos, Pérolla Negra e Samantha de Araújo. Produção de Sambacaitá. Maceió, 2024.

BIXA Travesty. Direção: Kiko Goifman e Claudia Priscilla. Produção de Evelyn Mab. Brasil: Arteplex, 2018.

CARANDIRU. Direção: Héctor Babenco. Produção de HB Filmes. Brasil: Sony Pictures, 2003.

ELVIS & Madona. Direção: Marcelo Laffitte. Produção de Focus Films Ltd. e Laffilmes. Brasil: Pipa Filmes, 2011.

PEDAGOGIAS da Navalha: Se a palavra é um feitiço, minha língua é uma encruzilhada. Direção: Colle Christine Avelar, Tiane Dos Santos e Alma Flora. Produção de TRAVAMOLOTOV. Brasil: 2023.

PERIFERICU. Direção: Rosa Caldeira, Vita Pereira, Nay Mendl e Stheffany Fernanda. Produção de Maloka Filmes. Brasil: 2019.

PIXOTE. Direção: Héctor Babenco. Produção de Embrafilme. Brasil: Embrafilme, 1980.

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Publiée

2026-04-10

Comment citer

Barros, R. C. P. (2026). Plantando o futuro à navalha: Enquadramentos travestis no cinema brasileiro. COR LGBTQIA+, 3(10), 18–29. Consulté à l’adresse https://revistas.ceeinter.com.br/CORLGBTI/article/view/2671