Ciberativismo de mulheres trans no Brasil

Resistência e subjetivação na produção acadêmica recente

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Autori

DOI:

https://doi.org/10.56579/cor.v3i10.2472

Parole chiave:

ciberativismo;, transfeminismo, Identidade de gênero, Resistência digital, Revisão sistematizada

Abstract

Este artigo analisa a produção acadêmica brasileira sobre o ciberativismo de mulheres trans, com foco na última década (2014–2024), e tem como objetivo compreender como esse fenômeno tem sido abordado nas publicações científicas nacionais. Trata-se de uma revisão sistematizada de literatura que adota abordagem qualitativa e utiliza a análise temática como método de tratamento dos dados. Foram selecionados dezesseis artigos científicos, localizados em bases como Scielo, LILACS, Google Acadêmico e Semantic Scholar, a partir de critérios de inclusão e exclusão previamente definidos, com destaque para estudos que envolvem o ciberespaço, o ativismo digital e a identidade de mulheres trans. A análise dos artigos revelou quatro grandes eixos temáticos: ciberativismo, transfeminismo, resistência e transfobia. Os resultados demonstram que o ambiente digital tem se constituído como espaço de subjetivação, organização política e enfrentamento das normas cis-heteronormativas, sendo utilizado por mulheres trans para construir redes de apoio, denunciar violências e afirmar suas identidades. A pesquisa também identificou lacunas na literatura, como a ausência de padronização do termo “ciberativismo” nos indexadores científicos e a frequente sobreposição de conceitos como mulher trans, travesti e transfeminina, sem a devida distinção analítica nos estudos. Conclui-se que o ciberativismo de mulheres trans no Brasil representa um campo de resistência ativa e (re)existência, desafiando estruturas históricas de exclusão e contribuindo para a construção de novas epistemologias feministas e trans. O estudo reforça a importância de abordagens interseccionais, transfeministas e decoloniais na análise das dinâmicas de poder e identidade no ambiente digital contemporâneo.

Biografia autore

Amanda Cristina Gontijo Silva, UFMG

Psicóloga (PUC Minas) e Mestra em Psicologia Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atua na interface entre gênero, cibercultura e processos de subjetivação, com ênfase em violência, saúde mental e dinâmicas sociais contemporâneas. Desenvolve pesquisas em Psicologia Social com enfoque crítico e feminista transnacional.

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Pubblicato

2026-04-10

Come citare

Silva, A. C. G. (2026). Ciberativismo de mulheres trans no Brasil: Resistência e subjetivação na produção acadêmica recente. COR LGBTQIA+, 3(10), 48–65. https://doi.org/10.56579/cor.v3i10.2472