Fluência compulsória e desejo desviante
Narrativa autoetnográfica
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https://doi.org/10.56579/cor.v3i10.2601Palabras clave:
Gagueira, Estigma, Fluidocentrismo, Autoetnografia, DissidênciaResumen
Este artigo apresenta uma narrativa autoetnográfica que articula a experiência da gagueira com as identidades LGBTQIA+, propondo uma análise crítica a partir dos Estudos Queer e Crip. Partindo da premissa de que a fluência é um pacto social e normativo, examina-se como a exigência de fala fluida, aqui denominada fluidocentrismo, funciona como tecnologia de controle e de regulação dos corpos. A gagueira, tradicionalmente reduzida a uma patologia da fala, é compreendida neste trabalho como marcador social da diferença, a partir do qual se produzem e se regulam legitimidade, autoridade e pertencimento. A narrativa evidencia que a experiência de gaguejar não se limita ao campo biomédico, mas se inscreve em uma rede de significados que atravessa gênero, sexualidade e estigma. Tal como a dissidência sexual, a disfluência desafia normas hegemônicas, sendo constantemente enquadrada como falha moral ou desvio a ser corrigido. Ao mobilizar teóricos como Goffman (1975) Becker (2019) Butler (2008) e McRuer (2006; 2024), o estudo demonstra como os discursos sobre normalidade sustentam práticas de exclusão que atravessam tanto a fala quanto o desejo.
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