Criador ou criatura

Perspectivas da transgeneridade no cinema

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Authors

DOI:

https://doi.org/10.56579/cor.v3i10.2470

Keywords:

transgeneridade no cinema, male gaze e sadismo fetichista, personagens trans no cinema

Abstract

Este artigo discute a história de narrativas e personagens trans no cinema a partir da construção de um olhar sádico e fetichista de um espectador masculino cuja perspectiva é emulada pela câmera, relegando pessoas trans à condição de criaturas, e não de criadoras dessas obras. Analisando os fimes “Glen ou Glenda” (1953) e “A Garota Dinamarquesa” (2015) a partir de conceitos apresentados pela teórica de cinema feminista Laura Mulvey em seu texto “Prazer Visual e Cinema Narrativo” (1975), procuramos entender como esse olhar é estabelecido por meio de uma série de tropos e recursos que se articulam de modo a colocar o espectador num lugar de juiz, que se identifica com o ponto de vista da câmera, determinando se a pena da personagem será o perdão ou a punição. Em ambos os casos, esse espectador se regozija com seu sofrimento. Por outro lado, trazemos “I Saw the TV Glow” (2024) como uma alternativa a essa leitura, subvertendo os tropos narrativos da transgeneridade construídos ao longo da história e propondo novas formas de criar histórias trans no cinema.

Author Biographies

Alice Salles Gomes Leal, Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

Cineasta, roteirista, produtora e assistente de direção. Cursa o 6º período de Bacharelado em Cinema e Audiovisual do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. É co-fundadora da Siamesa Filmes, e trabalha como assistente de produção na Klaxon Cultura Audiovisual/BrLab (2025-). Trabalhou como assistente de produção e monitora nos eventos Mostra Internacional de São Paulo (2023, 2024), Fórum Spcine (2024), Curta Kinoforum (2024) e BrLab (2024), entre outros. É diretora e roteirista do curta-metragem Lua de Mel (em desenvolvimento) e produtora do curta-metragem Óleo Sobre Ontem (em pré-produção). Trabalhou como assistente de direção do curta-metragem Close (em pós-produção), TCC da NYU filmado no Brasil. É autora do artigo de iniciação científica "Criador ou Criatura: Perspectiva da Transgeneridade no Cinema" e associada da APTA (Associação de Profissionais Trans do Audiovisual).

Tatiana Machado Boulhosa, Centro Universitário Belas Artes de São Paulo

Possui graduação em História pela Universidade de São Paulo (2005), mestrado em Ciências da Religião pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (2009) e doutorado (2015) pela mesma instituição. Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, CAPES, Brasil, no mestrado e no doutorado.Tem experiência na área de História, atuando principalmente nos seguintes temas: História e Religião, Teoria da História, História Medieval, Monasticismo, História da Igreja Católica e História da Irlanda. Atuou como Professora TI no Núcleo de Ensino a Distância da Universidade Anhembi Morumbi e da Universidade Potiguar (UNP), bem como professora visitante da Universidade Salvador (UNIFACS). Atuou mais de 10 anos em sala de aula no Ensino Básico, ministrando aulas de História, Filosofia e Sociologia para o Ensino Fundamental II e Ensino Médio.

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Published

2026-04-10

How to Cite

Leal, A. S. G., & Boulhosa, T. M. (2026). Criador ou criatura: Perspectivas da transgeneridade no cinema. COR LGBTQIA+, 3(10), 32–46. https://doi.org/10.56579/cor.v3i10.2470