Inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho

Lições sobre o caso de Belo Horizonte

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Autores

DOI:

https://doi.org/10.56579/cor.v3i10.766

Palavras-chave:

Psicologia, Gênero, Diversidade, Mercado de Trabalho, Pessoas trans

Resumo

Este artigo tem como objetivo identificar os principais fatores que dificultam a inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho formal, utilizando a experiência realizada na cidade de Belo Horizonte, do estado de Minas Gerais, como caso empírico. Por meio de abordagem qualitativa, que priorizou a realização de entrevistas individuais semi-estruturadas com 6 (seis) participantes, buscou-se compreender, por meio de seus discursos, os principais desafios enfrentados por essa população na busca pelo acesso à empregabilidade formal. Os resultados indicam que permanência da discriminação e exclusão no ambiente profissional são os principais fatores que dificultam o acesso e que, ao mesmo tempo, forçam desligamentos involuntários - apesar de políticas de diversidade existentes. De modo geral, acredita-se que a pesquisa contribui para o debate acadêmico e para a formulação de políticas públicas voltadas à inclusão efetiva das pessoas trans no mercado de trabalho formal.

 

Biografia do Autor

Bruno Campos, UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

Doutor em Saúde Coletiva - PPGSC/ UFES (2018 - 2022). Mestre em Psicologia Institucional pela UFES (2016- 2018). Especialista em Avaliação Psicológica CFP (2020) e Dependência Química pela faculdade EMESCAM (2012- 2014). Graduado em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo, (2008). Professor Universitário e da Educação Profissional. Pesquisador membro do Observatório de Direitos humanos e Justiça Criminal do ES - ODHES. Atou por dez anos como psicólogo no Sistema Prisional do Espírito Santo, sendo três anos dedicados ao módulo das Audiências de Custódia. Membro do GT de Avaliação Psicológica do CRP-16 na gestão (2019-2022) onde foi indicado para integrar o Grupo de Trabalho para elaboração das "Normas e Regras da Avaliação Psicológica para a Concessão de Registros e/ou Porte de Armas de Fogo". Tem experiência na área da Psicologia, atuando principalmente nos seguintes temas: Saúde Coletiva, Saúde Mental, Ciências sociais e saúde, sistemas de justiça e saúde, Psicologia e políticas públicas, Psicologia da saúde, saúde prisional, direitos humanos, entre outros.

Gustavo Alves Eduardo, Faculdade Anhanguera de Guarapari

Graduado em psicologia pela faculdade Pitágoras de Linhares (2018). Pós Graduação em Psicologia Clínica (2023). Pós Graduação em Saúde Pública com Ênfase em Saúde da Família (2023). Mestre pela Universidade Federal do Espírito Santo no programa de pós graduação em psicologia institucional (UFES/PPGPSI). Atua nas áreas de: psicologia clínica, cuidado, filosofia da diferença, psicologia institucional, saúde mental, direitos humanos, psicologia social, transdisciplinaridade e ética baseando-se nos pensamentos de: Achille Mbembe, Baruch Espinosa, Félix Guattari, Frantz Fanon, Friedrich Nietzsche, Gilles Deleuze, Michel Foucault, René Lourau e Walter Benjamin. No momento, atua como Professor Universitário e psicólogo clínico. Atuou como psicólogo e coordenador no Serviço de Atendimento Humanizado a Vítimas de Violação de Direitos Humanos (SAHUV). No mestrado, dedicou-se a pesquisar as relações de cuidado no Centro de Atenção Psicossocial II (CAPS) e a produção de subjetividade no contexto de atuação da psicologia institucional na saúde mental. Tem experiência de atuação clínica com crianças, adolescentes e adultos.

Luiza dos Santos Tereza, Faculdade Anhanguera de Belo Horizonte

Graduanda em Psicologia pela Faculdade Anhanguera de Belo Horizonte.

Maria Eduarda de Souza Salles, Faculdade Anhanguera de Belo Horizonte

Graduanda em Psicologia pela Faculdade Anhanguera de Belo Horizonte.

Flávia Coluna Nicodemos, Faculdade Anhanguera de Belo Horizonte

Graduanda em Psicologia pela Faculdade Anhanguera de Belo Horizonte.

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Publicado

22-12-2025

Como Citar

Campos, B., Eduardo, G. A., Tereza, L. dos S., Salles, M. E. de S., & Nicodemos, F. C. (2025). Inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho: Lições sobre o caso de Belo Horizonte. COR LGBTQIA+, 3(9), 36–49. https://doi.org/10.56579/cor.v3i10.766