Para transicionar a atenção básica

Uma análise da produção de cuidado à saúde as pessoas trans no SUS

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Autores

DOI:

https://doi.org/10.56579/cor.v2i10.1985

Palavras-chave:

Pessoas trans, políticas de saúde, atenção básica, transição de gênero

Resumo

Neste artigo discuto a produção do cuidado em saúde voltado às pessoas trans e travestis no SUS, com foco na atenção primária à saúde (APS) como estratégia para a efetivação da atenção integral e superação da patologização das identidades trans. Problematizo a predominância do modelo biomédico-especializado e a subutilização da APS nas políticas de saúde voltadas a essa população. Objetivo: Refletir sobre o papel da APS na produção do cuidado, considerando seus atributos e a interprofissionalidade como eixos para reorganização das práticas assistenciais. Método: Revisão narrativa com busca sistemática nas bases SciELO, BVS e PubMed (2011–2022). Resultados: Foram incluídos 15 estudos, analisados em duas linhas temáticas: (1) a produção de cuidado nos ambulatórios trans e os efeitos das normativas do processo transexualizador; (2) experiências na APS e o conceito de “transicionar a atenção básica”. A APS pode ser estratégica na afirmação de gênero e no enfrentamento da cisnormatividade.

Biografia do Autor

Matheus Madson, Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Fisioterapeuta graduado pela UFRN, especialista em Atenção Básica/Saúde da Família e Comunidade na modalidade de Residência Multiprofissional pela UERN, mestre em Cognição, Tecnologias e Instituições pela UFERSA e atualmente doutorando do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva da UFRN e pesquisador do Grupo Interprofissional de Saúde LGBTI+ da UFRN (GIPS LGBTI+). 

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Publicado

31-01-2026

Como Citar

Avelino, M. M. L. (2026). Para transicionar a atenção básica : Uma análise da produção de cuidado à saúde as pessoas trans no SUS. COR LGBTQIA+, 2(10), 22–44. https://doi.org/10.56579/cor.v2i10.1985

Edição

Seção

Artigos