Chamada de trabalhos - Confluências: gêneros, sexualidades e literaturas
[CHAMADA DE TRABALHOS]
A Revista COR LGBTQIA+, da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Paraná (UFPR), torna pública a chamada para o dossiê temático “Confluências: gêneros, sexualidades e literaturas”, com curadoria de Sara Regina de Oliveira Lima (UESPI); Maria do Desterro da Conceição Silva (UFNT); Maria do Carmo Moreira de Carvalho (UFPI); Clara Lavynia Mendes Costa (UESPI) e Emanuelle de Oliveira Pereira (UESPI).
A literatura constitui-se como território de criação fértil, disputa simbólica e produção de possibilidades de mundos. Longe de operar de maneira neutra (Lima, 2025; Machado, 2014; Alves, 2011), os textos literários incorporam, reelaboram e tensionam cargas sociais, históricas e culturais (Cândido, 2001; Dalcastagnè, 2012) que atravessam os modos de narrar e vivenciar os gêneros e as sexualidades. Este dossiê parte da compreensão de que a literatura não apenas reflete estruturas sociais, mas também as desloca, reconfigura e reinventa, afirmando produções literárias que desestabilizam regimes normativos, recusam hierarquias e forjam outras possibilidades de existência, linguagem e corpo. Diante disso, reconhecemos que pensar gêneros e sexualidades (Butler, 2005; Preciado, 2014; Rich, 2010; Scott, 1995) implica considerar olhares epistemológicos que nos ajudam a ler o fazer literário em suas dimensões estéticas e críticas. Nesse sentido, interessam-nos saberes que emergem de experiências plurais, buscando, assim, comunicar intelectualidades, expressividades e resistências materializadas na escrita divergente.
Justificativa: este dossiê justifica-se pela necessidade de ampliar e consolidar investigações críticas que reconheçam narrativas LGBTQIA+ como centrais na produção estética e epistemológica dos estudos literários. Ao dialogar com abordagens queer, trans, feministas, interseccionais (Crenshaw, 2008) e contracoloniais (Bispo, 2023), a proposta tensiona processos históricos de marginalização que relegaram gêneros, sexualidades e corpos dissidentes a posições periféricas no campo literário. Ao assumir a literatura como espaço de resistência estética e imaginação política, o dossiê busca contribuir para a reconfiguração dos cânones, das práticas críticas e pedagógicas e dos modos de produção do conhecimento, fortalecendo um campo comprometido com a transformação das estruturas de exclusão.
Serão bem-vindos trabalhos que abordem, entre outros temas:
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Representações de gêneros e sexualidades dissidentes na literatura;
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Literatura infantojuvenil e a construção de identidades LGBTQIA+;
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Estudos queer, trans e feministas aplicados à crítica literária;
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Interseccionalidades (raça, classe, território, ancestralidade e espiritualidade) nas narrativas LGBTQIA+;
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Narrativas escritas por autores/as LGBTQIA+ ;
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Políticas do corpo, performatividade e literatura;
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Literatura comparada e/ou circulação de narrativas LGBTQIA+;
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Ensino de literatura e práticas pedagógicas voltadas à diversidade.
Convidamos pesquisadorxs, graduadxs e graduandxs, mestrxs, mestrandxs, doutorxs, doutorandxs, docentes, ativistas e artistas a submeterem trabalhos inéditos que contribuam para fortalecer o campo crítico em questão.
Vem para encruzilhada de saberes com a gente!
Prazo para submissão: 22/04/2026
Referências
ALVES, M. A literatura negra feminina no Brasil: pensando a existência. Revista da ABPN, v. 1, n. 3, fev 2011, p. 181-189.
BISPO, A. S. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu Editora/PISEAGRAMA, 2023.
BUTLER, J. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. 8° Ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.
CANDIDO, A. Vários escritos. 3. ed. Rio de Janeiro: Ouro sobre Azul; São Paulo: Duas Cidades, 2001.
CRENSHAW, K. Mapping the margins: intersectionality, identity politics, and violence against women of color. Stanford Law Review, v. 43, n. 6, p. 12141-12199, 1991.
DALCASTAGNÈ, R. Literatura brasileira contemporânea: um território contestado. Vinhedo: Editora Horizonte, 2012.
LIMA, S. R. O. A representação de protagonistas infantis transfemininos e transmasculinos em livros ilustrados estadunidenses. Tese. Universidade Federal do Piauí, Teresina, 2025.
MACHADO, A. Ancestralidade e encantamento como inspirações formativas: filosofia africana e práxis da libertação. Revista Páginas de Filosofia, vol 6, n 2, p. 51-64, jul./dez, 2014.
PRECIADO, B. O manifesto contrassexual. São Paulo: N-1 edições, 2014.
RICH, A. Heterossexualidade compulsória e existência lésbica. Revista Bagoas. Estudos gays: gênero e sexualidade. Natal, UFRN. n. 05, 2010. p. 17-44.
SCOTT, J. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade. Porto Alegre, vol. 20, nº 2, jul./dez. 1995, pp. 71-99.










