A PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES DO 9º ANO NA ORGANIZAÇÃO DO ARQUIVO DE PRÁTICAS DA ESCOLA MUNICIPAL JOSÉ CALIL AHOUAGI – EMJCA
UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
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Educação, História, Cultura de escola, Arquivo, MemóriaResumo
O presente trabalho faz parte da pesquisa de doutorado em andamento intitulada “O acervo de práticas da EMJCA: memória, currículo e cultura de escola” vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação – PPGE/UFJF/MG/BRASIL. Tem por objetivos: (i) apresentar as percepções expressas por estudantes do 9º ano de 2024 sobre a sua participação na organização do acervo práticas pedagógicas da EMJCA e (ii) abordar a memória de uma aluna, a partir do seu encontro com a prática pedagógica realizada por sua professora do 2º ano, em 2018. Este recorte ocorre a partir da pergunta: O que significa organizar um arquivo de práticas pedagógicas com o auxílio de estudantes do 9º ano do ensino fundamental? As respostas estão na experiência com o projeto Fios da História Memórias e Narrativas. Nele, oito estudantes foram convidados a se abrirem para novas realidades e sentidos quando mobilizados a pensar procedimentos próprios do saber histórico nas operações de acondicionamento e armazenamento, leitura, identificação, classificação e categorização de informações em documentos históricos do acervo de práticas da José Calil. No fazer desta ação foi identificado o encontro entre os saberes construídos por estes estudantes ao longo das suas trajetórias escolares e o despertar das suas memórias. Em termos teórico-metodológico, inscrevo este estudo no espaço dilatado das possibilidades de análises e pesquisas no campo da História e da Educação. Neste cenário, acrescento as proposições teórico e metodológica de Michel Foucault (2022) que possibilitam-me situar o arquivo de práticas pedagógicas como um campo de enunciação discursiva, pois é um conjunto de registros pedagógicos escritos e iconográficos de proposições educativas realizadas por professoras/es e alunas/os, realizados em um espaço escolar específico, que oferecem pistas inscritas em um tempo e versam de maneira única sobre temáticas das culturas popular brasileira, dos povos originários e africanos. Nesta perspectiva, o acervo é formação discursiva que aponta para uma construção curricular específica e singular, próprias da cultura da escola EMJCA. Dominique Juliá (2001) e Vidal e Paulilo (2020) contribuem com as reflexões das relações entre arquivo escolar e cultura da escola. E Ramos (2004) possibilita compreender que cada prática pedagógica do arquivo é, também, um objeto gerador de memórias que contém o registro de um tempo/espaço passado e que ao serem encontradas por estes sujeitos no tempo presente tornam-se potenciais geradores de narrativas do vivido no ambiente escolar.