Brilho, resistência e memória urbana
A drag queen como ícone do movimento LGBTQ+ - estudo de caso sobre Silvetty Montilla
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https://doi.org/10.56579/cor.v2i9.2019Palavras-chave:
Cultura Drag, Silvetty Montilla, Memória Urbana, Resistência LGBTQ+Resumo
O presente artigo analisa a trajetória de Silvetty Montilla como um estudo de caso que revela o papel das drag queens na consolidação da cultura urbana LGBTQ+ no Brasil. A pesquisa se configura como uma análise cultural e política da atuação drag na cidade, com ênfase nas implicações estéticas, pedagógicas e sociais de sua presença pública. Adotando abordagem qualitativa com base teórica da Teoria Crítica da Sociedade, o estudo revisita a memória da resistência LGBTQ+ por meio da performance drag como instrumento de denúncia e pedagogia urbana. O texto evidencia que, desde as décadas de 1980 e 1990, figuras como Silvetty Montilla vêm produzindo visibilidade e tensionando normativas de gênero e sexualidade, ao ocuparem boates, teatros e mídias com discursos e estéticas subversivas. Os resultados apontam para a importância das drag queens na construção de espaços simbólicos de afirmação e pertencimento nas cidades, bem como na mediação de ações educativas e políticas públicas em defesa da diversidade. A atuação de Silvetty é reconhecida como expressão viva de uma memória insurgente, que resiste aos apagamentos promovidos pela racionalidade instrumental e pela indústria cultural. A pesquisa conclui que as drag queens exercem um papel pedagógico e político fundamental na formação de subjetividades dissidentes e na produção de narrativas urbanas que reivindicam justiça social, reconhecimento e participação. O estudo propõe que futuras investigações ampliem o diálogo entre cultura drag, educação e epistemologias contra-hegemônicas, inserindo tais práticas nos debates sobre memória cultural, formação crítica e direito à cidade.
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