BIBLIOTECAS COMO ESPAÇOS POLIFÔNICOS E DIALÓGICOS
APROXIMAÇÕES CONCEITUAIS E LIMITES ESTRUTURAIS
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https://doi.org/10.56579/eduinterpe.v2i1.3563Palavras-chave:
Bibliotecas, Desenvolvimento de coleções, Mediação da leitura, Justiça SocialResumo
Este estudo propõe uma análise teórico-crítica das bibliotecas como espaços potencialmente polifônicos e dialógicos, problematizando os limites dessa perspectiva diante da persistência da branquitude como norma cultural e epistêmica. A partir dos conceitos de polifonia e dialogismo em Bakhtin (2004; 2008), compreende-se a biblioteca como ambiente de coexistência de múltiplas vozes e de produção de sentidos no encontro entre textos e leitores. Contudo, à luz da crítica foucaultiana sobre saber e poder (Foucault, 2008), argumenta-se que os processos de seleção, organização e mediação do acervo não são neutros, mas atravessados por regimes de verdade que regulam legitimidades e invisibilidades. Nesse contexto, as bibliotecas podem operar como espaços públicos brancos (Espinal, 2001), reproduzindo hierarquias raciais e epistemológicas. Conclui-se que a efetivação de uma biblioteca polifônica e dialógica exige revisão crítica de políticas de desenvolvimento de coleções, adoção de critérios afirmativos e formação profissional orientada à justiça social.