ENSINO DE ASTRONOMIA NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA
IMPLICAÇÕES PARA A FORMAÇÃO DOCENTE A PARTIR DA PRODUÇÃO DO SNEA
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https://doi.org/10.56579/eduinterpe.v2i1.3524Palavras-chave:
Formação Docente, Educação Inclusiva, Ensino de Astronomia, Acessibilidade, Diversidade CulturalResumo
A ampliação do número de estudantes/as público-alvo da Educação Especial na rede regular de ensino, evidenciada pelos dados do Censo do Inep (2022), impõe à formação docente o desafio de articular domínio conceitual, acessibilidade e equidade no ensino de Ciências. No campo da Astronomia, historicamente marcado por forte apelo visual e abstração conceitual, essa demanda torna-se ainda mais complexa. Em consonância com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), este estudo, desenvolvido no âmbito do doutorado em Ensino de Ciência e Tecnologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), analisou como a temática da inclusão tem sido abordada nas produções do Simpósio Nacional de Educação em Astronomia (SNEA), com foco em suas implicações para a formação inicial e continuada de professores/as. A pesquisa caracteriza-se como qualiquantitativa, de natureza bibliográfica e documental, fundamentada na análise de conteúdo (BARDIN, 2016). O corpus compreendeu 516 trabalhos publicados nas cinco primeiras edições do evento (2011–2018), dos quais 31 atenderam aos critérios de inclusão estabelecidos. Os resultados indicam que apenas 6% da produção analisada aborda explicitamente a interface entre Ensino de Astronomia e inclusão. Dentre esses, 54,8% concentram-se na inclusão do público-alvo da Educação Especial, com predominância de estudos voltados à deficiência visual, enquanto 45,2% relacionam-se à Astronomia cultural, com ênfase nas culturas indígenas. Observou-se a presença de propostas formativas, como oficinas pedagógicas destinadas a professores/as de Ciências, voltadas ao aperfeiçoamento conceitual em Astronomia e Etnoastronomia, bem como iniciativas em espaços formais e não formais que envolvem produção de materiais táteis, uso de tecnologias assistivas e abordagens interculturais. Entretanto, a distribuição regional das pesquisas evidencia concentração nas regiões Sul e Sudeste (77,5%), indicando assimetrias na produção científica. Ao mapear a produção acadêmica do principal evento nacional da área, o estudo permite identificar tendências, lacunas e potencialidades formativas que impactam diretamente a formação inicial e continuada de professores/as. Conclui-se que, embora haja avanços significativos na elaboração de recursos didáticos e na valorização da diversidade cultural, a consolidação de uma política formativa sistemática para o Ensino de Astronomia inclusivo ainda demanda ampliação investigativa, articulação curricular e fortalecimento da formação docente como eixo estruturante da democratização do conhecimento científico.