REPRESENTAÇÕES E ESTEREÓTIPOS

A PERCEPÇÃO DA COMUNIDADE ESCOLAR SOBRE A CULTURA CIGANA

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Autores

  • Suelen Martins Universidade Federal de Minas Gerais
  • Bruno Vieira Sanches Centro Universitário Única
  • Camila Garcia Coutinho Centro Universitário Única

DOI:

https://doi.org/10.56579/eduinterpe.v2i1.3522

Palavras-chave:

Ciganos, Estereótipos, Preconceito, Questionário, Entrevista

Resumo

Os povos ciganos são historicamente estigmatizados por representações pejorativas que permeiam o imaginário popular, sendo frequentemente retratados sob o véu do misticismo e do exotismo. Segundo Amossy e Pierrot (2022), os estereótipos constituem um conceito cristalizado que atua como recurso de categorização, bem como de exclusão de um dado grupo. No caso específico da comunidade cigana, estereótipos como "ladrão", "selvagem", "sujo" e "trapaceiro" são recorrentemente associados a essa comunidade, enquanto às mulheres ciganas são atribuídas, adicionalmente, imagens hipersexualizadas de sedutoras ou figuras místicas de bruxas (TEIXEIRA, 2008). Pesquisas acerca da identidade e do percurso desses grupos (BATULI, 2007; TEIXEIRA, 2008) destacam a variedade e a riqueza cultural dessa população de origem milenar, em oposição às perspectivas essencialistas predominantes, as quais são estigmatizantes. Assim, este trabalho tem como objetivo central investigar a perpetuação dos estigmas ciganos no ambiente escolar, compreendido como um espaço de socialização fundamental que tanto reflete quanto possui o potencial de subverter preconceitos sociais enraizados. Para a execução da pesquisa, adota-se uma metodologia de abordagem quali-quantitativa, de caráter bibliográfico e exploratório. A realização da coleta de dados ocorre por meio de entrevistas estruturadas e da aplicação de questionários eletrônicos (via Google Forms) junto a uma comunidade escolar (gestores, professores, funcionários e alunos) de Ensino Fundamental — anos iniciais — em uma escola municipal de Belo Horizonte que possui estudantes ciganos matriculados. Tais instrumentos visam identificar a presença de estereótipos no cotidiano escolar e mensurar o nível de conhecimento técnico e sensível da comunidade acadêmica sobre a história, as tradições e a realidade contemporânea desses povos. Pretende-se, com a aplicação desses instrumentos, demonstrar como a lacuna de conhecimento aprofundado sobre a cultura cigana contribui para a essencialização desses grupos, reduzindo uma trajetória milenar e heterogênea a um conjunto fixo de características negativas e estereotipadas. A análise dos dados coletados realiza-se por meio da triangulação de dados, ou seja, pelo uso da análise do conteúdo (BARDIN, 2016) e do discurso (AMOSSY e PIERROT, 2022). Espera-se que os resultados evidenciem como tais representações fomentam uma atmosfera de racismo, negligência e marginalização social. Por fim, o estudo busca oferecer subsídios para futuras intervenções pedagógicas e políticas de inclusão que visem à desconstrução do anticiganismo e à promoção de uma educação verdadeiramente intercultural e democrática.

Biografia do Autor

Suelen Martins, Universidade Federal de Minas Gerais

Doutora em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Bruno Vieira Sanches, Centro Universitário Única

Aluno do curso de Licenciatura em História pelo Centro Universitário Única

Camila Garcia Coutinho, Centro Universitário Única

Aluna do curso de Licenciatura em Ciências Sociais pelo Centro Universitário Única

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Publicado

27-07-2026

Como Citar

Martins, S., Sanches, B. V., & Coutinho, C. G. (2026). REPRESENTAÇÕES E ESTEREÓTIPOS: A PERCEPÇÃO DA COMUNIDADE ESCOLAR SOBRE A CULTURA CIGANA . ANAIS CONGRESSO DE EDUCAÇÃO, INTERDISCIPLINARIDADE E PRÁTICAS ESCOLARES, 2(1), 01–02. https://doi.org/10.56579/eduinterpe.v2i1.3522