A PEDAGOGIA DA ALTERNÂNCIA E A EMANCIPAÇÃO DOS POVOS DO CAMPO
DEBATES NO CENÁRIO NEOLIBERAL
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https://doi.org/10.56579/eduinterpe.v2i1.3521Palavras-chave:
Pedagogia da Alternância, Educação do Campo, Emancipação, Neoliberalismo, Formação CríticaResumo
Este estudo objetiva compreender como a Pedagogia da Alternância pode contribuir para o processo de emancipação dos sujeitos do campo, considerando as tensões decorrentes do neoliberalismo. Parte-se da compreensão de que o campo se constitui como um espaço de luta e resistência, cujos conflitos estruturais decorrem da expansão do agronegócio, da destruição da terra vinculada à industrialização e ao consumismo, assim como do êxodo rural constante. Nesse cenário, os saberes tradicionais, os conhecimentos históricos e o modo de vida dos povos camponeses são permanentemente ameaçados diante de um sistema econômico perverso no qual o neoliberalismo se estrutura. A partir de uma pesquisa bibliográfica, de natureza qualitativa, pautada no materialismo histórico-dialético, realizou-se um levantamento de artigos, livros e publicações que abordassem a Educação do Campo, a Pedagogia da Alternância e o neoliberalismo de forma conjunta. Assim, os principais achados foram submetidos à análise temática, organizando-os a partir de três categorias principais: os princípios da Pedagogia da Alternância; suas contribuições para a emancipação dos sujeitos; e o impacto do neoliberalismo no cotidiano do campo, com ênfase na luta pela terra e a reforma agrária. Com isso, o diálogo teórico fundamenta-se em autores como Freire (1996), Freitas (2018), Rodrigues (2020), Batista e Agostinho (2020) e Lima (2024), cujas contribuições permitem investigar como a Pedagogia da Alternância, enquanto uma proposta educativa crítica, pode contribuir como uma ferramenta formativa para a promoção da consciência crítica, autonomia e da emancipação dos povos campesinos. Como resultado, foi possível compreender que a Pedagogia da Alternância é uma possibilidade formativa que se difere do ensino regular tradicional, na qual os sujeitos realizam o seu ano letivo de maneira alternada na instituição escolar, no Tempo Escola, e em suas comunidades de origem, no Tempo Comunidade. Por esse motivo, tem-se como fundamento uma educação alternativa, em que as vivências em diferentes espaços são valorizadas e consideradas como meio de aprendizagem. Nesse sentido, a Pedagogia da Alternância contribui diretamente para a emancipação dos sujeitos, prezando um processo formativo que tenha como centro a realidade material do campo, seus desafios e conflitos. Com isso, trata-se de um movimento contra hegemônico, visto que não visa preparar os sujeitos para o mercado de trabalho e as demandas emergentes do capital. Pelo contrário: busca a qualidade de vida dos sujeitos a partir da defesa do campo como espaço de existência, vivências e produção de conhecimento. Assim, a Pedagogia da Alternância contribui de maneira múltipla para a emancipação dos sujeitos, atuando no âmbito cognitivo, pessoal e sociopolítico. Por isso, oferece um espaço de contraponto à racionalidade neoliberal imposta pelo sistema capitalista, uma realidade que impacta cada vez mais a esfera educacional e tem os povos do campo entre os seus principais reféns.