MITOLOGIAS DA CRIAÇÃO E EDUCAÇÃO PLURAL
O ENSINO DE HISTÓRIA ATRAVÉS DE COSMOGONIAS COMPARADAS
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https://doi.org/10.56579/eduinterpe.v2i1.3519Palavras-chave:
Ensino de História, Mitologias, Educação Antirracista, Interculturalidade, Diversidade CulturalResumo
Este trabalho investiga como o uso pedagógico de mitologias africanas, indígenas e de outras tradições culturais pode favorecer a aplicação das Leis 10.639/03 e 11.645/08 no ensino de História, promovendo o respeito à diversidade cultural e enfrentando resistências ideológicas ainda presentes no contexto escolar. Parte-se da hipótese de que a análise crítica e comparativa de cosmogonias amplia o engajamento discente e fortalece processos de identificação, especialmente entre estudantes pertencentes a grupos historicamente silenciados. A pesquisa justifica-se diante dos entraves à efetivação das referidas legislações, como a insuficiente formação docente acerca da História da África e dos povos originários e o receio de abordar religiosidades afro-brasileiras e indígenas em sala de aula. Nesse sentido, propõe-se o trabalho com mitos cosmogônicos articulados em perspectiva intercultural, conectando diferentes tradições culturais ao currículo escolar e ao universo simbólico dos estudantes. O percurso metodológico envolve revisão bibliográfica sobre mitologia, educação crítica e interculturalidade, seguida da seleção, análise e adaptação de narrativas cosmogônicas africanas, indígenas e de outras matrizes culturais. A partir desse material, será elaborada uma sequência didática organizada em formato de cartilha pedagógica, orientada por princípios de Educação antirracista. Os resultados parciais indicam que a abordagem comparativa das narrativas de origem favorece a problematização de visões eurocêntricas, amplia o repertório cultural dos estudantes e estimula o diálogo respeitoso sobre diferenças religiosas e culturais. Conclui-se que o uso pedagógico das mitologias, quando fundamentado em perspectiva crítica e intercultural, constitui estratégia didática potente para o fortalecimento da implementação das legislações mencionadas e para a construção de práticas escolares comprometidas com a equidade e o reconhecimento da diversidade como elemento estruturante da sociedade brasileira.