FORMAÇÃO DE PROFESSORES EM TEMPOS NEOLIBERAIS
ENTRE A MERCANTILIZAÇÃO E A BUSCA POR UMA EDUCAÇÃO EMANCIPADORA
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https://doi.org/10.56579/eduinterpe.v2i1.3518Palavras-chave:
Formação de Professores, Neoliberalismo, Educação Crítica, Inclusão, ResistênciaResumo
Este trabalho possui como objetivo discutir a formação de professores em um contexto marcado pelo avanço das políticas neoliberais e da consequente mercantilização da educação, processo que tem se intensificado nas últimas décadas no cenário nacional. Esse movimento pode ser notado de forma concreta por meio dos documentos e diretrizes oficiais publicados recentemente, como a Base Nacional Comum Curricular de 2017, a Resolução CNE/CP n.º 02/2019 (Brasil, 2019) e o Parecer CNE/CP n.º 04/2024 (Brasil, 2024), produzindo tensões, questionamentos e contestações. Observa-se que essas normativas contribuem de maneira explícita para reforçar a concepção de formação ancorada aos princípios cernes do neoliberalismo, como a meritocracia, a responsabilização individual e a eficiência. Nesse contexto, a formação e o trabalho docente são reduzidos a uma mera prática instrumental e de treinamento, visando atender às novas demandas, tendo por objetivo fazer com que os estudantes incorporem habilidades e competências para serem úteis ao mercado. Isso promove a redução e até mesmo a eliminação da dimensão crítica, política e social que se defende da formação docente. Diante disso, o trabalho problematiza os limites e empecilhos que são impostos pela lógica neoliberal a uma formação docente que esteja comprometida com a inclusão e a equidade social. Assim, questiona-se: como é possível pensar em uma educação crítica, emancipadora, socialmente comprometida com a inclusão e a diversidade diante de um contexto marcado por tensões, contradições e padronização dos sujeitos? Para encontrar caminhos que auxiliem a refletir sobre essa questão, teve-se apoio, metodologicamente, na pesquisa bibliográfica e documental, visando uma análise qualitativa, fundamentada no materialismo histórico-dialético. Além disso, buscou-se os conceitos e discussões promovidas por autores-chave que permitem pensar na formação docente inserida no projeto neoliberal, como Gramsci (2017), Gatti (2010) e Kuenzer (2024). Os resultados indicam que, embora o neoliberalismo seja um projeto amplo e não que afeta apenas a educação ou a formação de professores, é possível identificar caminhos contra-hegemônicos no interior desse contexto. Interiorizando os princípios da totalidade, contradição e mediação, destacam-se o compromisso com a inclusão e com a diversidade, como componentes que devem permear o processo formativo e o trabalho em sala de aula. Ademais, é preciso que a dimensão política seja valorizada, no sentido de ter a práxis como princípio fundamental da atuação docente. Dessa maneira, é possível que a formação de professores seja constituída enquanto espaço de resistência e de reflexão crítica. Para tanto, é preciso que seja orientada por uma perspectiva que considere as condições concretas, materiais e históricas da realidade, no enfrentamento das desigualdades estruturais do país e na defesa permanente de uma educação que seja democrática e que seja socialmente e politicamente referenciada.