AS PRODUÇÕES ESCRITAS DE LICENCIANDOS
ELABORAR E REELABORAR UMA EXPERIÊNCIA DE SI
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Programa de Residência Pedagógica, Formação Inicial Docente, Tecnologias do eu, EscritaResumo
O presente resumo tem o objetivo de socializar um recorte teórico e dos resultados de uma pesquisa de doutorado em Educação em andamento. Situado no campo dos estudos sobre a formação inicial de professores, o estudo busca compreender a forma como os licenciandos que participaram do Programa de Residência Pedagógica, em sua última versão, nos anos de 2022 a 2024, constituíram-se enquanto sujeitos. Assim, a partir do referencial teórico-metodológico foucaultiano, mobilizam-se os conceitos de saber, poder e ética (Foucault, 2020, 2014a, 2014b), a fim de situar os participantes da residência pedagógica enquanto indivíduos que se constituem a partir do entrecruzamento dos efeitos dos discursos sobre a docência, das relações de poder implicadas no processo formativo e das possibilidades que têm de refletir sobre si mesmos e acerca de suas práticas. Na obra de Foucault (2008), os mecanismos pelos quais os sujeitos podem realizar operações reflexivas sobre si mesmos são denominados tecnologias do eu. Trata-se de um movimento ético, no sentido foucaultiano do termo, que envolve a relação que o indivíduo estabelece consigo mesmo ao se identificar enquanto sujeito; nesse processo, constrói uma experiência de si. Nesse entendimento, é possível pensar nas produções escritas pelos residentes como uma possível tecnologia do eu, na medida em que são levados a descrever suas práticas pedagógicas, envolvendo planejamento, execução e avaliação das aulas ministradas, bem como as demais atividades realizadas na escola. Aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, o estudo realizou uma análise parcial dos dados a partir de relatórios fornecidos pelos participantes. Como resultado, observa-se que, em alguns casos, os residentes, ao relatarem sobre sua prática, desenvolvem uma escrita reflexiva, envolvendo um movimento de autoavaliação; já em outros, nota-se a predominância de um relato tecnicista, focado na descrição das atividades realizadas em si mesmas. Conclui-se, parcialmente, que as produções escritas dos licenciandos, sejam elas diários de campo, relatórios, entre outras modalidades enunciativas, ao possibilitarem que os sujeitos relatem sua prática pedagógica, não se constituem, obrigatoriamente, como uma tecnologia do eu, na medida em que é necessário que, por meio de uma escrita reflexiva e autoavaliativa, elaborem uma experiência de si