FAMÍLIAS E TERRITÓRIOS 281 161
DIÁLOGOS NECESSÁRIOS
Anahtar Kelimeler:
Território- Violações de Direitos- FamíliasÖz
Este estudo tem como objetivo verificar as violações de direitos presentes no território de moradia das famílias acompanhadas pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) do Recife a partir da análise de dados de pesquisa qualitativa. Entende-se por território o espaço geográfico de moradia assentado no campo das relações humanas e sociais. Nesse lugar, se conflui diálogos de grupos na construção de identidades com características da cultura local, hábitos, costumes. Nesse espaço de interlocução emergem lutas, conflitos, organização comunitária, lideranças. A crise socioeconômica brasileira agrava a situação de pobreza em determinados territórios potencialmente marcados pela violência social. São famílias que se encontram em espaços geográficos que vivem os desafios cotidianos da luta por sobrevivência no direito à dignidade humana: moradia, saúde, lazer, educação, trabalho e renda, transporte coletivo. A Emenda Constitucional 95/2016, política proposta que reduz os investimentos das políticas públicas sociais e traz o agravamento das violações de direitos: trabalho infantil, mendicância, aliciamento para o tráfico de drogas, crianças e adolescentes em situação de rua. Portanto, o estudo teve como investigação o campo do risco social que permeiam as relações nos territórios de Santo Amaro e Joana Bezerra, local de moradia das famílias acompanhadas pelos profissionais da Assistência Social. Esses bairros são recortados pelas situações de pobreza e violência visíveis no cotidiano da periferia do Recife. Para tanto, buscou-se problematizar a seguinte questão: Quais as violências que se apresentam no cotidiano do território de moradia? Nessa direção, merece atenção os dados produzidos pelo estudo do Atlas da Violência: retrato dos municípios brasileiros, 2019 ao apontar os índices de violência letal na cidade do Recife na totalidade de todos os bairros. A importância desse trabalho nos faz pensar as violações de direitos nos territórios periféricos que segregam vidas à situação de morte.