MULHERES NEGRAS: DESCOLONIZANDO NARRATIVAS

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Autores

  • Regiane Oliveira dos Santos Universidade Federal de São Carlos
  • Leonardo Cardoso Portela Câmara Universidade Federal do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.56579/prxis.v3i2.2630

Palavras-chave:

Mulheres Negras, Racismo, Trauma Colonial

Resumo

Este estudo qualitativo, alicerçado na Entrevista Narrativa de Associação Livre e na psicanálise, tem por objetivo testemunhar como o racismo estrutural modela a trajetória de mulheres negras que trabalham como empregadas domésticas e babás para famílias brancas. Nos resultados, a partir do relato de vida da entrevistada, identificaram‐se duas categorias temáticas de análise que revelaram padrões psicanalíticos transgeracionais: Expressões de Superioridade Colonial, que articula a desumanização fanoniana e o choque comunicacional da “confusão de línguas” ferencziana; e Oscilação da Mãe Preta, que expõe a ambivalência festiva–subserviente descrita por Lélia Gonzalez. Expõe-se que dar voz às memórias e ressignificar narrativas coloniais promove uma descolonização subjetiva, abrindo caminhos para práticas terapêuticas que restituam acolhimento, autonomia e reconhecimento à mulher negra.

 

Biografia do Autor

Regiane Oliveira dos Santos, Universidade Federal de São Carlos

Mestranda pela Universidade Federal de São Carlos, desenvolve pesquisa no campo das relações raciais em psicanálise, bolsista CAPES

Leonardo Cardoso Portela Câmara, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Psicanalista, professor adjunto 2 do Departamento de Psicologia (DPsi/UFSCar), professor permanente do Programa de Pós-graduação em Psicologia (PPGPsi/UFSCar), mestre e doutor em Teoria Psicanalítica (PPGTP/UFRJ), membro do Grupo Brasileiro de Pesquisas Sándor Ferenczi (GBPSF) e do The International Sándor Ferenczi Network (ISFN), autor do livro "Ferenczi e a psicanálise: corpo, expressão e impressão" (EdUFSCar, 2021).

Referências

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Publicado

05-10-2025

Como Citar

Santos, R. O. dos, & Câmara, L. C. P. (2025). MULHERES NEGRAS: DESCOLONIZANDO NARRATIVAS. PRÁXIS EM SAÚDE , 3(2), 01–08. https://doi.org/10.56579/prxis.v3i2.2630