Colonialidade de gênero, necropolítica e população LGBTQIAPN+ em situação de rua

O “virar casa” no eixo Cuiabá–Várzea Grande

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Autores

DOI:

https://doi.org/10.56579/cor.v1i11.2961

Palavras-chave:

Colonialidade de gênero, Necropolítica, População LGBTQIAPN+ em situação de rua, Abjeção urbana, Cuiabá–Várzea Grande

Resumo

Este ensaio analisa a articulação entre colonialidade de gênero, necropolítica e produção do abjeto urbano, tomando como foco pessoas LGBTQIAPN+ em situação de rua no eixo Cuiabá–Várzea Grande. Parte-se do pressuposto de que essa presença não pode ser compreendida apenas como efeito da pobreza, mas como resultado de processos históricos e contemporâneos que distribuem desigualmente reconhecimento, proteção e possibilidade de habitar a cidade. O texto mobiliza revisão bibliográfica crítica, análise conceitual de matriz decolonial e interseccional e diálogo com documentos públicos e relatórios institucionais sobre população em situação de rua e violência contra pessoas LGBTQIAPN+. Sustenta-se que a casa opera, na modernidade colonial, como espaço moralmente regulado pela cisheteronormatividade e pela racialização, enquanto a rua se converte em espaço de gestão diferencial da precariedade. Nesse quadro, propõe-se o conceito de “virar casa” para nomear práticas afetivas, materiais e relacionais por meio das quais corpos dissidentes produzem condições mínimas de existência em contexto de expulsão, abandono e violência. Conclui-se que o “virar casa” tensiona os limites coloniais do habitar e recoloca o debate sobre moradia, cuidado e pertencimento a partir da experiência de sujeitos historicamente produzidos como descartáveis.

Biografia do Autor

Lucas Vinicyus Rodrigues Martins, Universidade Federal do Estado de Mato Grosso

Pesquisador e mestrando em Sociologia pela UFMT. Sua trajetória articula a experiência na segurança pública com investigações sobre direitos humanos, exclusão social e experiências de pessoas LGBTQIA+ em situação de rua.

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Publicado

21-07-2026

Como Citar

Martins, L. V. R. (2026). Colonialidade de gênero, necropolítica e população LGBTQIAPN+ em situação de rua: O “virar casa” no eixo Cuiabá–Várzea Grande. COR LGBTQIA+, 1(11), 326–343. https://doi.org/10.56579/cor.v1i11.2961

Edição

Seção

Ensaios